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ENG. ROLDÃO PEREIRA SIMAS FILHO E A PETROBRÁS

 UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO E PATRIOTISMO

Engenheiro Roldão Pereira Simas FilhoSempre acreditando na grandeza da Petrobrás

03 AgostoEscrito por  Ricardo MaranhãoLido 398 vezes

Roldão Pereira Simas Filho, engenheiro de refinação de petróleo, um dos primeiros da PETROBRÁS, ingressou na Companhia em Janeiro/1958, aposentou-se em Outubro/1994 após 36 anos de serviço.

Ao se aposentar enviou mensagem aos amigos petroleiros, relatando passagens de sua trajetória e destacando sua afeição e entusiasmo pela PETROBRÁS. Publicamos o documento em homenagem ao colega, hoje residindo em Brasília – DF
Aos meus colegas:
Despedida 
Rio, 31 outubro 1994

Ao me aposentar, após 36 anos e 10 meses de trabalho na Petrobrás, quero deixar registrado com um texto, como é de meu hábito, minha despedida dos colegas com quem convivi. Tenho a pretensão de registrar não só um agradecimento por tão bom convívio durante quase uma vida, mas também deixar uma mensagem aos que ficam na ativa. Difícil é dosar as duas coisas: o que a Petrobrás significa para mim e o que penso que significa para o País.

Como universitário acompanhei a batalha da opinião pública que foi a campanha pela aprovação do monopólio estatal do petróleo. Acompanhei-a já com a cabeça feita pelos livros de Monteiro Lobato, consolidada minha opinião com o suicídio, em 24 de agosto de 1954, do Presidente Getúlio Vargas e a leitura de sua carta-testamento, na qual a Petrobrás é explicitamente mencionada.

Para mim a Petrobrás se confunde com a minha vida. Em 1957 ela foi me buscar dentro da faculdade, no último ano do curso de Química, com uma palestra-convite para as provas de seleção ao curso de refinação de petróleo. Fez-me, em seguida, estudar intensamente durante quinze meses, transformando-me em engenheiro de projeto de refinação. Aceitei com entusiasmo e alegria o convite e o desafio, pois, como estudante universitário, ao visitar, no ano anterior, a Refinaria de Cubatão, dissera ao engº Jorge Gonçalves, que nos ciceroneava, que eu iria trabalhar ali, como de fato se realizou pouco tempo depois. A Petrobrás era um emprego e uma convicção para toda a vida.

Ao longo desses anos todos houve alguns desentendimentos com colegas que desacreditavam da missão da Companhia, mas que, nem por isso, se desligavam do emprego. Felizmente foram pouquíssimas exceções para confirmar a regra dos que vestem a camisa da Petrobrás como instituição.

Conheci, por outro lado, pessoas admiráveis como Armando de Avellar Torres, meu primeiro chefe na Fábrica de Fertilizantes de Cubatão, Mirênio Morado Luterbach e Hilnor Canguçu Toulois de Mesquita, superintendentes da Refinaria Duque de Caxias (REDUC), todos de saudosa memória, e Maurício Medeiros de Alvarenga, ex-superintendente do Departamento de Produção e ex-diretor da Petrobrás, felizmente vivo, mas aposentado. Muitos outros poderia mencionar, mas receio omitir algum por esquecimento involuntário. Afinal a idade vai queimando os neurônios…

Meus dez anos na REDUC, entre 1962 e 1972, são inesquecíveis. Assisti à montagem e à partida de quase todas as unidades de processamento, trabalhando na operação, em turno, durante cinco anos, abrangendo o tumultuado ano de 1964, quando o Exército esteve, ao longo de seis meses, dentro da refinaria.

O interesse pela racionalização do trabalho me levou à área de Organização & Métodos ainda na REDUC, antes da existência dos cursos de Administração. Daí minha carreira ter-se desviado para essa atividade, na qual permaneci, trabalhando depois na sede da Companhia, no antigo Serviço de Organização, no Departamento de Produção — quando foi estruturado —, no Serviço de Planejamento e, finalmente, na Assessoria de Modernização Empresarial.

Meu círculo de amizades aumentou e, ao mesmo tempo, se concentrou entre os colegas da Petrobrás. Como passamos mais horas do dia no ambiente de trabalho, isso é uma conseqüência natural. O importante é a qualidade que atribuo aos meus amigos da Petrobrás.

No meu entender o sucesso da Petrobrás está ligado ao rigoroso critério de mérito no sistema de seleção e admissão, e à alta especialização técnica, sempre valorizada. É bom lembrar que o início da operação da Refinaria de Cubatão, em 1955, foi feito por estrangeiros. O comando era dos norte-americanos, da Hydro Carbon, e muitos operadores vieram de Java! Brasileiros com diploma universitário, mas sem treinamento, eram simples ajudantes de operador de fornos.

Antes da Petrobrás não havia geólogos formados no Brasil. Por isso Mr. Link foi contratado para chefiar o Departamento de Exploração e Produção da empresa. Os cursos de geologia, com dois anos de duração, dados pela Companhia como pós-graduação, foram o embrião das Escolas de Geologia no País.

Só para comparação, é preciso assinalar que, ainda hoje, a Saudi-Aramco depende da contratação de mais de 3.500 técnicos estrangeiros, ou seja, não há especialistas em petróleo sauditas suficientes na maior empresa de petróleo do mundo. Ao contrário, a Petrobrás há muitos e muitos anos não só não depende de técnicos estrangeiros como detém tecnologia própria, exportável. Cabe destacar aqui o nome de Antônio Seabra Moggi e seu empenho em dotar a companhia de um quadro técnico de primeiro nível. Preocupa-me, entretanto, o futuro com a possível perda de conhecimentos com a aposentadoria de pessoal sem equivalente substituição. A Companhia não pode crescer forte sem ter mais técnicos. A empresa é o seu quadro de pessoal. Depois da II Guerra, a reconstrução alemã foi rápida e fácil: as fábricas foram destruídas pelos bombardeios aéreos, mas seus operários e técnicos estavam vivos.

Hoje, aos 61 anos de idade, vejo aposentados todos os colegas que comigo entraram na Petrobrás em janeiro de 1958, com a exceção apenas de Vicente Elmo Brasil, ainda na ativa como superintendente do Departamento Industrial. Ultrapassei a “fórmula 95”. Posso dizer que saio da ativa com fecho de ouro, o de ter tido a oportunidade, nos últimos doze meses, de participar com 75 colegas, voluntários, que foram a Brasília defender junto aos parlamentares a manutenção da política nacional do monopólio estatal do petróleo, ameaçada na Revisão Constitucional de ’93/’94.

É preciso que todos os petroleiros entendam que a Petrobrás é uma respeitável empresa industrial nos seus 41 anos de existência. Mas não é apenas isso. É muito mais; é uma poderosa alavanca para o desenvolvimento brasileiro nas mãos do governo. É a afirmativa que o petróleo é mesmo nosso. É uma demonstração de que sabendo querer, podemos fazer. É uma história brasileira de sucesso. O petróleo é a energia que moveu o século XX e que moverá o mundo no século XXI. E a Petrobrás é a instituição que garante a energia que o Brasil usa.

Ao me despedir só posso dizer que levarei, com carinho e muita saudade, a amizade de todos vocês. A vida, entretanto, não pára. “Tudo é passageiro, com exceção do condutor e do motorneiro”, dizia a sabedoria carioca. Contem comigo, conto com vocês. A luta continua!

Comentários   

0# Claudio de Mendonça 12-09-2017 19:09

Associo-me aos comentários enaltecedores do companheiro Henrique Sotoma ao companheiro Roldão Simas, extensivo a todos os companheiros que anonimamente contribuiram para o desenvolvimento e a consolidação da nossa amada PETROBRÁS, atualmente em processo de destruição. A todos os meus agradecimentos e os parabéns. Claudio Ribeiro – C. Abreu, RJ.

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0# He nrique Sotoma 04-08-2017 02:56

Excelente depoimento de um pioneiro no desenvolvimento da PETROBRAS. Sugiro aos petroleiros que hoje estão adentrando na Empresa, tomem conhecimento e lutem para preservar a Petrobras. Não podemos permitir que a Empresa seja privatizada!
Ao engenheiro Roldão Pereira o meu obrigado pela mensagem; deixo aqui o meu abraço e muitas alegrias na sua vida.

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