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ASSASSINATOS -De Armando Ferreira dos Santos – Santos – SP – Brasil

      ASSASSINATOS

    

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Eis, uma historia verdadeira, infelizmente, costumeira, já um tanto corriqueira…

Historia derradeira, minha de meus pais de meus irmãos;

Mundo! Lhes – escrevo e descrevo como foi linda a vida de uma família nestes anos todos trabalhando vivendo a paz e com carinho cuidando apenas do nosso farto chão…

Mundo! Lhes – escrevo nos instantes derradeiros de minhas forças, ainda vivas que em minha mente  se fazem presente

Nos instantes em que não sei onde foram parar minhas pernas e onde agora estarão os restos de meu corpo assim como minhas mãos, mas, escrevo a vocês;

Um belo dia de sol! Manhã radiante!

Destas que nos enchem de felicidade e alegria, para tocarmos nossas vidas adiante. Oramos, agradecendo por mais este dia ensolarado,

pela divina natureza mãe, mais uma vez ofertado.

Tomávamos o café da manhã, meus irmãos pequeninos,  ainda iriam à escola, para das coisas da vida saber, para estudar, brincar,

para das coisas da vida aprender.

Minha mãe arrumava a casa meu pai como sempre limpava a horta, cuidava do milharal!

Quando percebi no céu bem ao longe um pássaro brilhando voando, brilhando, voando, voando trazendo seus bons augúrios a mais um dia do nosso viver… 

Para esta nossa linda manhã ate o anoitecer  passando por nosso tranquilo e belo entardecer…

Lá vem ele crescendo em nossa direção. Abri um sorriso…

Poucas vezes por aqui recebemos a visita de um avião!

Obrigado natureza por sua simplicidade,

trazendo logo cedo para minha cidade um  pássaro tão lindo para com seu “canto” e beleza nos encher de satisfação alegria e felicidade

Para meu desespero o pássaro voando tão alto, nem nos viu, passou e silencioso foi adiante…

Nem seu “canto” pude ouvir…

Mas, minha alegria não era em vão!

Percebi, de suas asas alguma mensagem de paz nos viria.

E, chegou mesmo ha poucos instantes!

Quase a toquei com minhas próprias mãos…

Mensagem para meu desencanto, também silenciosa naquele silencio da manhã daquele dia. Mensagem que conforme mais se aproximava sentia que dela, nenhum “canto” também, eu ouviria.

E foi chegando, chegando, chegando…

Seu tamanho aumentando, aumentando, aumentando…

E a mensagem, que de som, parecia totalmente vazia, logo que chegou ao nosso quintal!!! Explodiu!!!

Com o barulho de um estrondo infernal!!!

A tudo destruiu em minha casa em minha volta, nossos vizinhos nossos animais de estimação viraram estilhaços, tudo, tudo de uma só vez, transformados em pedaços

Lá estavam em farrapos ate as roupas do nosso colorido varal…  Estilhaçados, meus irmãos meus pais minha casa meus amigos, eu!

Em instantes!

Cada um dos nossos pedaços, levados para um lugar daqui muito, muito distante

Assim, descobri que aquela mensagem silenciosa, sem seu “canto”,

 era o “canto” mudo da morte e destruição. Ouvi gemidos vindos não sei de onde, reconheci, eram de meus irmãozinhos e de meus pais.

Nossos gemidos, nossos ais?

Isto pouco importa aos nossos matantes e seus “superiores” mandantes, hipócritas e assassinos desleais…

Pouco se lhes importando o numero de mortos nas estatísticas do dia seguinte nos jornais…

Aquele que com seu canto viria nos alegrar, o lindo pássaro brilhante?

Simplesmente mais uma enorme e estúpida maquina assassina, matadora, movida por mãos criminosas profissionais!!!

Uma estúpida maquina que não sei por que resolveu nos visitar e nos matar. “Pássaro” que não canta, mas trás o canto fúnebre…

Da destruição da vida, em seu silencioso voo fatal e lúgubre…

Planando em silencio, vindo do sul do leste oeste ou vindo do norte.

Seus objetivos??? Gente!!!

Sua carga???  A morte!!!

Movida, silenciosamente pela madrugada enviada, por mentes indecentes perversas de mãos cruéis, que apesar de seus crimes nunca irão sentar suas bundas nos bancos dos réus.

Insanos, por detrás de suas frias telas sem se importarem com o que produzem de mortes ou o que irão produzir e deixar de sequelas

Animais, predadores cruéis, resguardados dentro dos limites de suas confortáveis poltronas e seguros quartéis

Mentes assassinas tirando nossas vidas, destruindo famílias sem culpas. Mesmo assim lá estão, todos mortos dilacerados, inocentes!

Os corpos jazem, como se, apenas, descartável matéria prima de  uma estúpida “guerra santa” entre infiéis 

Enquanto não morro, ouço a vós de meus irmãozinhos ainda muito pequeninos… Pequeninos… Pedindo ajuda e socorro

Crianças com seus sonhos voando aos pedaços, juntos aos pedaços de suas pernas de seus rostos de seus órgãos.

Pedaços de seus corpos, eis ali, pedaços de seus pequeninos braços junto aos restos de seus intestinos.

 

Sonhos postos por terra em uma manhã ensolarada, uma manhã radiante que truncou nossos destinos.

                  

   Pedaços de seus corpos…

Destinos selados pela mortal modernidade e cega tecnologia dos homens…  Ao dispor, deste poder, ha loucos poderosos assassinos… Poderosos e impiedosos esses loucos, assassinos, continuarão a matar sem se importarem de quem tiram a oportunidade de viver,

se de idosos ou inocentes meninos, justamente por que!

São cretinos assassinos… Assassinos e cretinos…

São assassinos… São assassinos… São assassinos, assassinos!!!

 

*De um jovem indefeso moribundo!

Em algum indefeso lugar deste insano mundo…

 

armandopoesias_sv@hotmail.com

armando f. santos

São Vicente, agosto 2013

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