Você está em: Inicial » Angola // Brasil // Cabo Verde // Crônicas // Galiza // Goa, Damão e Diu // Guiné-Bissau // Literatura Prosa // Macau // Matérias Especiais // Memórias // Moçambique // Países // Portugal // São Tomé e Príncipe // Timor Leste » COMO NASCE UM LIVRO – De Carlos Magno de Melo – Médico,escritor e cronista

COMO NASCE UM LIVRO – De Carlos Magno de Melo – Médico,escritor e cronista

Como nasce um livro

Carlos Magno de Melo

carlosmagnodemelo@hotmail.com

Estava com Victor Alegria, ambos sentados em poltronas de plástico, em um barco.  O cheiro salgado vinha do mar. Tomávamos vinho tinto acompanhado de presunto defumado. Falávamos da língua romena. Falávamos de Ovídio, poeta romano que morou em Bucareste. A brisa nos refrescava. Estávamos navegando o Danúbio e adentrávamos o delta, rumo ao Mar Negro. Nós e mais quarenta e nove brasileiros. Estávamos na Romênia. Eles, com o objetivo de divulgar a nossa literatura e nossa arte. Eram escritores, artesãos, pintores e intelectuais que participavam da “Primavera Romena”, evento idealizado por Victor Alegria, buscando estreitar relações artístico-culturais. Eram pois, embaixadores das artes de Brasília e do Brasil naquele remoto país, nas portas da Europa Central. O único não, digamos, artista, era eu. Fora com o objetivo de fazer prospecção para negócios envolvendo pequenos empresários do Distrito Federal na Romênia.

                Em dado momento, falei ao Victor que havia escrito um romance. Ele me olhou e me perguntou onde o havia publicado. Claro, era apenas um manuscrito. Victor sorriu aberto e me disse com o sotaque português que não o abandona, embora more no Brasil desde antanho, que eu lhe mandasse o meu livro quando chegássemos ao Brasil. Se o conselho editorial da editora o aprovasse, ele o publicaria. Publicou.

                Assim nasceu “Bar Castelo”, isso em 2000. Depois vieram “O Espírito do rabo do fogão”, “Mata Serena”, “Longe da mão do rei”. “Livramento Pentecostes”, “O manuscrito de Madri”, “Canção da água” e “Uma canção de ninar para o diabo”. A Thesaurus Editora, pode-se dizer, então, descobriu-me como escritor. E eu e o meu editor estávamos tomando um vinho muito conhecido na Romênia e comíamos presunto. Navegávamos o Danúbio rumo ao delta, ao Mar Negro. E eu com um manuscrito na gaveta. Um manuscrito que convenceu o conselho editorial da editora e me abriu o caminho para a publicação. Outros três livros foram editados por outras duas editoras. Mas, é aquela história: lugar certo, hora certa e estar preparado.

                Nasceu entre mim e Victor Alegria uma sólida amizade. Viajamos, grupos de intelectuais, Victor e eu, então como escritor, a Portugal por duas ocasiões. Palestras, tardes de autógrafos, intercâmbio cultural e, claro, vinho.

Agora, semana passada, chegou à minha casa o editor. Veio me apresentar um projeto, sobre o qual falamos em Brasília há uns meses. Victor me encomendou um romance. Queria me apresentar o ponto de vista de editor. Falou sobre aspectos de divulgação, estratégia, arte de capas, diagramação e desejou ouvir as diretrizes que eu havia tomado para ao ideia do romance (sim, será um romance). Ficamos quatro dias discutindo o projeto. Claro, tomamos vinho, falamos sobre política, história, literatura valenciana, poesia, arte e mulheres, pois que ninguém toma vinho sem falar nelas. Pois é, e assim nasce um livro, mesmo antes de ser grafada uma única letra.

                Sagaz, Victor me presenteou com uma caneta e, para que eu não me esqueça do tempo, também com um relógio…

1 Comentário + Comentar

Deixe um comentário





Voltar à página anterior Imprimir esta página

Patrocinadores

  • logo_aa

Design e Desenvolvimento - MagicSite Internet Solutions