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Amigos, falar de coisas boas – De Carlos Magno de Melo – Médico e escritor- Salvador – Bahia – Brasil.

Amigos, falar de coisas boas

Carlos Magno de Melo – autor de Mata Serena, entre outros romances.

Prefiro falar sobre amigos. Amigos que não ligam, mas que sabemos, encontram-se lá e, qualquer coisa, acorrerão a nós. Amigos que telefonam nas horas impróprias para saber como estamos e que riem quando descobrem alguma gafe que cometemos e choram quando sabem que choramos. Ficam bravos se alguém fala mal de nós e até brigam, cortam relações para nos defender. Amigos que nos pedem dinheiro emprestado e nos pagam e que jamais devolvem os livros que nos levam para dar uma lida. Amigos que nos mandam um cartão postal de Paris e lamentam que não estejamos lá com eles. Amigos que se esquecem do nosso aniversário, assim como nós nos esquecemos dos deles e não nos guardam rancor por isso e nem nós deles, porque é assim que sabemos que eles são e sabemos que eles sabem que somos assim, cheios de defeitos. Amigos que emburram conosco e depois temos tempo de morrer de rir, juntos, do fato, tomando aquele vinho argentino que guardamos para ocasiões especiais.

Mas, uma pergunta: há amigos assim? Triste quem achar que não. Quem pensar que não há amigos assim está sendo um mau e mal amigo. Se ninguém oferece o ombro para que você chore nele, talvez seja porque você não está oferecendo o seu para que alguém chore recostado em você. Vai ver, pediu empréstimo e não pagou. Começou a evitar o amigo para não ter que dar uma desculpa. Nunca mais tocou no assunto. Deixou de telefonar e reclamou para todo mundo quando o credor, indignado, telefonou falando que precisava cobrir o cheque especial, porque o dinheiro que ele lhe emprestou foi tirado de lá. Fica dizendo que uma vez emprestou também e ele pagou, mas pagou depois do prazo. Quem sabe você não deu em cima da mulher dele? Se aconteceu tal episódio deplorável, você nunca foi amigo dele. Foi um canalha. A recíproca é verdadeira. Vale também para as amigas, claro. Amiga ignora o homem da outra. Mulher de amigo, com todo respeito, é homem.

A amizade tem mão dupla. Não nos esqueçamos, não se esqueça. Amigos são para sempre. Mesmo que nos esqueçamos deles por longo tempo, um dia, eles ressurgem como que por encanto. Um dia, aparecemos para eles como um nascer de sol. É só cultivar a amizade com a sinceridade que ela merece.

Ah, por falar em amigos, deixei de comentar que o governo da presidente está mais enrolado do que obra pública. A transposição do São Francisco, só para ficar em um exemplo. Pior, nós estamos no rolo. A inflação. O descontrole. A improvisação. O desgoverno. Tudo isso nos afeta. Torçamos para que o bom senso venha naquele belo palácio projetado por Niemeyer, todo de vidro, para que entre a luz. Que chegue a luz.

Aproveitando a visita do Papa, amém.

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