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AS MENINAS DA NIGÉRIA – De Carlos Magno de Melo

As meninas da Nigéria

Carlos Magno de Melo

Cem dias. Esta semana completaram-se cem dias. O silêncio é inquietador. Revoltante. Cem dias e as estudantes da Nigéria sequestradas por terroristas estão em poder dos criminosos. Cem dias. É muita dor para as famílias desamparadas. É muito horror para aquelas meninas que tiveram a má sorte de serem da Nigéria. Fossem da Dinamarca, Rússia, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, fossem da França. Mas elas são meninas da Nigéria. Meninas da Nigéria, é mais fácil se esquecerem as meninas da Nigéria. Meninas da Nigéria não pesam na consciência dos povos. A tragédia sofrida por meninas da Nigéria está muito longe. Está na miséria d’África, tão cheia de tragédias. As meninas da Nigéria foram raptadas dentro da escola. Foram aprender e aprenderam. Aprenderam que as meninas da Nigéria são meninas para serem esquecidas e abandonadas nas mãos de selvagens. Aprenderam a lição: a desfaçatez do mundo civilizado é a realidade para elas, as relegadas à própria sorte. Aprenderam como é duro não terem nascido em lares loiros e ricos da Europa ou da América. Aprenderam que bem poderiam ter os olhos repuxados das meninas do Japão. Aprenderam que o terror não tem limites na escalada sangrenta. Essas meninas aprenderam que o pensamento hipócrita e vergonhoso é em síntese: isso é um problema da Nigéria. As meninas da Nigéria não são nossas meninas.

As meninas da Nigéria são mártires da hipocrisia branca, amarela e negra da população do mundo que as ignora. O episódio monstruoso das meninas da Nigéria é um tapa na cara da Humanidade.

A indiferença dos governos e organismos internacionais, tão covarde, vergonhosa e indescritível, tanto quanto possa ser indescritível tamanha indiferença, iguala cada povo ao brutal sequestrador.  A Civilização se equipara à barbárie. Cada país no globo se iguala aos sequestradores. Cada um de nós se equipara aos sequestradores das meninas da Nigéria, com o nosso silêncio.

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