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Crônica de Fim de Férias – De Augusto Monteiro – Porto – Portugal

Crónica de fim de férias

Até que enfim! Acabou mais uma edição de um safado programa televisivo que, pelo que contém de devasso e obsceno, deveria provocar nojo e repulsa, mas é visto e aplaudido por milhares de espectadores. Que pode esperar-se de uma sociedade assim?

Com a lembrança a rememorar imagens da moldura humana dos participantes na apresentação, com muitas mulheres sexy, descocadas, mostrando-se e desafiando olhares para generosos decotes exibindo as mamas que a natureza lhes deu ou conforme os silicones que lhes meteram, enfiadas em saias sem pano, a mostrar as cuecas a marialvas gulosos, com o falo em desassossego, tentando antever qual o pitéu que lhes vai calhar na mão, como cidadão impermeável à pornografia, pergunto a mim próprio que espécie de feminilidade perversa é esta que, sem qualquer pudor, expõe a sua nudez ao mundo e se enrola com alguém que não conhecia à meia dúzia de dias atrás? De que lado estão os seus valores?

Que me desculpem os fanáticos fans do Big Brother, que fielmente mantém o share da TVI em alta, mas o espectáculo é grosseiro, imoral, lascivo, impróprio, e mostra a negativa hipertrofia dos figurantes.

Não entendo como alguém é capaz de se sujeitar a viver enjaulado, espiado e devassado nas suas intimidades 24 horas por dia, meses a fio, e não tenha vergonha de perder a privacidade dos seus assuntos pessoais e revelações suas e da família, desenterradas e divulgadas pela comunicação social, bisbilhoteira e voraz a destruir qualquer reputação. Os exemplos abundam.

Eu sei que os sentimentos têm várias caras, mas confrange o ridículo de pessoas pouco preocupadas com o seu pudor e reputação, pelo desejo irreprimível de estar sob os holofotes, mesmo que de modo caricato, a exibir as suas vergonhas e a dourar a pílula a telespectadores ávidos de cenas eróticas, que lhes atice o fogo…

 

Na realidade, a Casa dos Segredos assemelha-se a um serralho, onde pessoas de ambos os sexos, contagiadas do mesmo paroxismo, indiferentes ao seu próprio aviltamento, se expõem impudicamente às objectivas coscuvilheiras das câmaras de filmar, e à língua-de-trapos da Teresa Guilherme, uma linguarás humorista à sua maneira, que goza a atear despiques e discórdias, intrigas de harém, chicaneira; um certo esboço de velhacaria, fofoquice, esmiuça aqui, esmiuça ali, pondo à prova os seus dotes profissionais e de sagacidade, explorando ingenuidades broncas, que muitas vezes suscitam graça, humor, ou simplesmente dó.

 

Quando o sórdido emerge numa degradação assim, divago sobre que pedagogia educativa pode ter este reality show, tão criticado universalmente.

Acabada a festa, a TVI e os participantes, irmanados numa glória efémera, espelham-se pelo rés-do-chão da vida. É pena, porque a vida só tem um tempo, muito curto, para perdê-lo estupidamente com frivolidades. 

A próxima edição já está anunciada, mas eu não resisto de apelar à TVI que dê um melhor contributo à inteligência dos portugueses.

 

Tentando alhear-me da dura penitência que tem sidoviver em Portugal nos últimos anos, castigo a que nos submeteram os partidos que têm governado Portugal desde o 25 de Abril e o conduziram a esta trágica encruzilhada, quis, nestas curtas férias tão desejadas, encontrar um pouco de serenidade e paz no bucolismo rural do nosso território interior.

De vez em quando faz bem deixar de viver em permanente alarme, abandonar tudo e procurar encontrar sossego e tranquilidade. Sem ouvir noticiários. Sem ler jornais.

Andei pelos caminhos das Beiras, Trás-os-Montes, Douro e Minho, descobrindo em cada província a sua identidade histórica. Dormi em casas de turismo rural, limpas, asseadas, de pessoas que sabem acolher com fidalgia. Comi da comida de cada região, de sabores diferentes, mas que se equivalem. Visitei lugares carregados de passado e de memória, e falei com pessoas para quem a vida é o tempo que decorre e o amor ao agro sagrado que os embalou. Lugares e pessoas que fazem parte de um todo: a pátria que nos acolhe.

Pode ser monótona a existência, mas os cenários da natureza e a singeleza do povo torna harmonioso o seu palco de vida, onde os corações palpitam na crença profunda das suas raízes e tradições.

 

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