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DINHEIRO FALSO VERDADEIRO

Dinheiro falso verdadeiro: Alves Reis

Uma história fantástica, mas verdadeira, de falsificação de dinheiro é a do Homem que Roubou Portugal (título do livro de Murray Teigh Bloom, editado pela Livraria José Olympio em 1966) que conta a história de Artur Virgílio Alves Reis (1896-1955), o português que fundou o Banco de Angola e da Metrópole e entre 1925 – 1932 conseguiu que uma das empresas britânicas que imprimia dinheiro para Portugal, a Waterlow & Sons, fizesse várias emissões clandestinas para o seu banco. Quando o golpe foi descoberto, o Banco de Portugal acionou na Justiça britânica e a firma inglesa foi condenada.
Alves Reis e três outros cúmplices planejaram nada menos que a emissão de moeda corrente portuguesa, autêntica, em seu próprio benefício. De maneira inacreditável, persuadiram a famosa firma impressora de papel-moeda, em Londres, a utilizar-se de matrizes autênticas do Banco de Portugal, para fabricação de dinheiro por eles encomendado. Um ano após, antes de serem apanhados, os quatro piratas haviam conseguido obter 580.000 cédulas com valor declarado equivalente a cinco e meio milhões de dólares, correspondendo à sexta parte das reservas totais de Portugal em papel-moeda, em cédulas de 500 escudos. O objetivo final era ambicioso: o controle do Banco de Portugal e o domínio financeiro total do país. A ironia final é que os únicos perdedores foram Reis, seus companheiros e os impressores britânicos. As finanças portuguesas se beneficiaram consideravelmente com a fraude, ajudando a superar a crise econômica mundial advinda da quebra da Bolsa de Nova York.

Dinheiro falso verdadeiro

Os falsários de Hitler

 

Uma história fantástica, mas verdadeira de falsificação de dinheiro:
Este caso é o dos nazistas que fabricaram libras esterlinas falsas para desequilibrar as finanças da Grã-Bretanha durante a II Guerra.
No começo da guerra, o Führer das SS, Henrich Himmler, criara em seu quartel-general a Seção 6-F-4, organização destinada a abater a economia inglesa por meio da falsificação, em grande escala, de dinheiro inglês. O major Bernhard Krüger foi nomeado diretor executivo desse plano em 1942.
Os técnicos do Reichsbank e da Imprensa Oficial do Reich, na sua maioria velhos e conservadores funcionários civis prussianos, revoltaram-se ante a idéia de imprimir dinheiro de outra nação, mesmo em tempo de guerra. Krüeger achou uma solução: muitos dos mais competentes técnicos alemães em artes gráficas estavam em campos de concentração em virtude de sua origem racial. Podia-se pôr esses homens a trabalhar e, ao mesmo tempo, mantê-los calados. Krüger reuniu esses técnicos e lhes prometeu tratamento preferencial pelo resto da vida, e mandou transferi-los para o campo de concentração de Sachsenhausen em Oranienburg, perto de Berlim. Ali, no Bloco 19, foi montada a Operação Bernhard.
Instalaram-se oficinas com máquinas que eram a última palavra na impressão de notas. Os clichês foram gravados com minucioso cuidado. Uma famosa fábrica de papel, depois de muitas experiências, conseguiu reproduzir o fino e leve papel do Banco da Inglaterra, com suas complicadas linhas d’água.
A título de experiência, a Seção 6-F-4 enviou partidas do produto aos representantes da Gestapo nas embaixadas e consulados alemães na Turquia, na Espanha, na Suíça e na Suécia, com instruções para tentar passá-las nos bancos locais. Na maioria, as notas foram aceitas sem despertar dúvidas.
Uma das vítimas notórias do dinheiro falso foi o famoso ‘Cícero’, o espião que serviu como mordomo do embaixador inglês em Ancara durante a guerra, que recebeu 300.000 libras do Serviço Secreto Alemão, história narrada no filme Cinco Dedos, de Joseph L. Mankiewicz, de 1952, com James Mason no papel de Cícero.
A fábrica de Krüger produzia 400.000 notas por mês e breve seria alcançado o total que Himmler estipulara. “Se não andarmos devagar”, disse ele ao seu guarda-livros e principal assistente, “serei mandado para a linha de frente e vocês serão fuzilados. Seria uma grande pena”.
Para manter a Operação Bernard  funcionando a pleno regime, Krüger planejou imprimir dólares americanos. Isso, porém, foi mais difícil. O papel em que é impresso o dinheiro norte-americano nunca pôde ser imitado com êxito. Os mais competentes auxiliares de Krüger se convenceram de que não poderiam produzir as matrizes com os complicadíssimos desenhos e nem as tintas de cor necessárias.
Assim, Krüger resolveu procurar um falsário profissional com experiência em notas americanas, capaz de resolver o impasse. A Gestapo e outros serviços secretos de Himmler entraram em ação e encontraram numa prisão na Alemanha um tal de Solly Smolianoff, cigano de nascimento, e refinado falsário. Solly nunca estivera nos EUA, mas se especializara em fabricar notas “americanas” tão boas que mais de uma vez haviam chamado a atenção do Serviço Secreto dos EUA.
Solly achou o Bloco 19 um paraíso.
─ Imaginem – dizia ele aos colegas – uma fábrica de dinheiro falso guardada pela polícia!
Em fins de 1944, Solly já havia conseguido uma nota de 50 dólares e outra de 100 que os técnicos da Imprensa Oficial do Reich e da 6-F-4 consideravam altamente satisfatórias. Mas naquela época a maré da guerra começou a voltar-se contra o Reich. Berlim era bombardeada diariamente e Sachsenhausen estava dentro da área visada. Krüger convenceu Himmler a transferir a oficina e o pessoal para uma das novas fábricas subterrâneas na zona do derradeiro reduto nos Alpes austríacos.
Só em abril de 1945 é que as máquinas puderam ser instaladas na Galeria 16, atrás de Redl Zipf. Por esse tempo, as tropas americanas já se aproximavam do reduto. Solly Smolianoff nunca chegaria a utilizar os clichês que havia preparado com tanto carinho.
Uma tarde, o major Krüger, numa veloz Alfa Romeo conversível e em companhia de uma loura espetacular, chegou no campo de concentração na entrada da caverna de Redl Zipf e transmitiu as ordens para que tudo fosse destruído. Os 140 membros da Operação Bernhard seriam levados para o campo de concentração de Ebensee e ali mortos. Mas a execução não foi efetivada.
Krüeger partiu em direção a Suíça, com o carro carregado de notas legítimas do Banco da Suíça, adquiridas em operações de câmbio negro nas capitais européias ocupadas. O porta-luva cheio de passaportes muito bem falsificados. Nunca mais se ouviu falar desse major.
No total, a Operação Bernhard fabricou quase nove milhões de notas do Banco da Inglaterra, com o valor nominal de cerca de 140 milhões de libras esterlinas.
(fonte: Historia Secreta da Última Guerra, Seleções do Reader’s Digest , Rio, 1962)
Essa história está documentada no livro Os Falsários de Hitler, de Lawrence Malkin, Ediouro, Rio, 2007. E no filme austríaco Os Falsários, direção de Stefan Ruzowitzky, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro 2008, a estrear no Brasil em maio de 2009, baseado, porém no romance The devil’s workshop, de Adolf Burger, centrado em Solly Smolianoff
 

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