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Emílio Fraia especial para a FOLHA DE SÃO PAULO

Folha de S. Paulo

 


Opinião

Na literatura, novos termos podem enriquecer narrativa

EMILIO FRAIA ESPECIAL PARA A FOLHA Se o narrador ou o universo de uma história pedem, não vejo problema em usar termos em inglês ou “gerados” pela internet. Pelo contrário, é o tipo de coisa que pode dar cor, dizer muito sobre a trajetória ou visão de mundo de um personagem ou narrador específicos.

O mais importante, acho, é ter em mente: escolher uma palavra é não escolher outra. Ao usar uma palavra estamos colocando-a em circulação. De certo modo, mantendo-a viva. E o contrário é verdade.

Cada vez que escrevemos “ELEGANTE” um reator explode em Fukushima e 12 gerações da palavra “GARBOSO” morrem no Pacífico.

Nos últimos anos, editei no Brasil três livros do escritor português Valter Hugo Mãe. Vez ou outra me perguntam a razão de não adaptar o texto (vocabulário, sintaxe etc.) para o português brasileiro. Antes de mais nada, trata-se de uma só língua, o português. Fazer ajustes (“abrasileirar” ou “aportuguesar”) seria apagar particularidades, reduzir possibilidades da língua e da cultura.

Ler um livro é também entrar em contato com essas possibilidades. E se a internet gera palavras, isso faz parte do nosso tempo e pode ser usado para criar algum tipo de efeito (palavras são tudo).

EMILIO FRAIA é escritor e editor. Autor de “O Verão do Chibo”, com Vanessa Barbara

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