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O Gato – De Carlos Magno de Melo – Escritor, Cronista e Médico

O gato.

Carlos Magno de Melo.

Membro da AVELA.

 

Eu estava tomando café com torradas na varanda.  Ele se aproximou pisando em almofadas. Miou. Eu o olhei. Dois olhos de fogo verde. Desconfiado, esperou. Miou. Fiquei quieto. Queria demonstrar que não admitiria companhia. Não desejava ter um gato entrando-me pela casa. Ele ficou quieto. Espiando. A pata dianteira se ergueu. Ficou estática, no ar. Esperava um gesto meu para completar o passo. Hesitou. A pata suspensa. Eu, ali firme na determinação de não abrir espaço para a aproximação. Para ser mais veemente, bati os pés no chão. Eu o enxotei. O gato correu, parou e observou. Novo batido com os pés. Ele se esgueirou. Vi as manchas amarelas se diluírem na escuridão onde a luz da minha varanda não iluminava. Um algodão de macio e silêncio desapareceu.

            Sobraram-me alguns pedaços de torrada. Quando me recolhi e fui jogar as migalhas no lixo me lembrei do gato. A fome. Eu jogando as torradas fora. O gato. Botei-o para correr. Com remorso, voltei e deixei os pedaços de torrada em um cantinho na varanda. Coloquei até uma inteira junto. Ele viria mais tarde e comeria.

            Ao abrir a porta de manhã as pequenas sobras de torradas estavam lá, intocadas. O gato não voltou. O dia estava brilhante e uma nesga de nuvem subia do mar como que querendo alcançar o sol para se embrulhar nele.

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