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Santa Catarina Silva – Dois poemas a não perder…

Os nossos pensamentos são sondados e entendidos antes de serem verbalizados.

O nosso levantar e o nosso deitar são conhecidos antes mesmo de serem conduzidos.

Os caminhos são traçados antes mesmo de serem por nós compreendidos.

Antes dos lábios se abrirem, no cérebro já está o enunciado registrado

e pela voz são os pensamentos manifestados.

 

Nosso corpo é protegido por mãos invisíveis e todos os lados são inatingíveis.

É maravilhosa demais tamanha ciência, vai além da nossa consciência!

Como fugir dessa proteção, se está em toda parte?

Estejamos nas alturas, entre estrelas, constelações e nas fases da lua,

nos fundamentos da terra, abrigados  na profundeza dos mares,

túmulos de todas as enfermidades e de todos os males!

 

A mão poderosa do Criador a todos os viventes ampara.

Ele tem doze olhos de pedras reluzentes,

os quais atingem as alturas, as profundidades, laterais,

a frente, atrás, tornando-nos inúteis  e dementes!

 

Sua mão potente traça os caminhos dos ventos

distribuíndo na terra os pensamentos

de acordo com os espíritos nos corpos habitados!

Nem as trevas nos tirarão da sua visão

pois Ele é luz diamante e do breu

e nada foge do que é seu!

 

Assim como os rins filtram o nosso sangue,

nossos pensamentos são purificados pelo seu controle.

No ventre da nossa mãe nos foi dado uma sorte,          

um espírito que guia e pode nos livrar da segunda morte.

 

No esconderijo do universo materno

nosso corpo foi gerado, do nada se tornou inteiro e belo.

Escreveu nosso nome num livro ainda selado

Só será aberto no final e nossos atos serão todos revelados.

Ele sabe de tudo que será consumado.

 

Quando passar, ó Senhor, montado no seu cavalo alado

e seu resplendor pousar sobre nós,

conhecedor do pensamento e do nosso final destino,

do coração que nos foi dado,

do amor dentro dele depositado.

Ache graça no nosso olhar cansado.

 

Expostos estão todos os machucados, pelas ventanias dos dias passados.

Cole, com a sua misericórdia, os cacos todos esfacelados,

E nos torne participantes do seu reino e da sua glória!

 

Segundo nossa resistência, o que possamos suportar,

prove-nos e nos  tire de algum caminho mau,

caso estejamos a trilhar,

guie – nos no caminho da vida eterna,

para que possamos no céu um dia entrar.

 

 

 E-mail: santacatarinasilva@hotmail.com

 25.12.2012

Na neblina do tempo a vejo, menina.

Menina- oleira  , amiga do barro, mexendo com ele,

Fabricando tijolos, observando os esqueléticos  cavalos,

Girando, girando, cansados, sem questionamento,

Sentindo o calor do forno, e dentro dele, os tijolos em cozimento.

 

Cruze, descruze, os  tijolos prontos, nas filas imensas,

As costas doem, mas nem conhece a palavra sofrimento.

Achava bonito aquelas fileiras imensas de tijolos prontos.

A menina do barro, dele fazia sua comida,

A comida lhe dava os sonhos

E os sonhos davam à menina –oleira

A direção dos dias.

 

E os dias tiraram

A menina do barro,

Suas mãos sujas , encardidas , calejadas

Tornaram-se finas, suaves e delicadas.

No lugar da forma do tijolo, foi-lhe dado a caneta,

Do curvar das fileiras, deram-lhe gavetas,

Onde ele engavetou seus sonhos.

E com a caneta, leve, fina, enfileirou seus pensamentos

E o papel, no lugar do barro, foi companheiro dos seus dias.

Parabéns, minha menina!

16.04.2001

 

4

 

 

QUIETUDE

 

Há um silêncio, calado, na noite escura.

Dentro dele dormem as estrelas,

Repousam os pássaros livres nas árvores,

Outros aprisionados em estreitas gaiolas, em lares.

Mistérios escondidos dentro dele, preces, ternura e amargura.

 

Escorregam lentas no tempo as horas.

O barulho da vida  não chega e

Meu cérebro, em turbulência,

Contrasta com a calma que reina.

Em vão, tenta, minha alma se livrar em pensamentos,

Na madrugada, que dorme, sossegada,

E dentro dele, meus lamentos mudos trancados,

Aceitam o destino que lhes foi determinado.

 

Há água jorrando lá fora,

Abençoado som da vida, enchendo a piscina.

Sinal de movimento

Corpos pesados e leves flutuarão sobre ela!

A casa imensa está cheio só de ar.

Um avião rasga a cidade

E visita minha solidão. Mera passagem!

Corredores intermináveis, quartos e salas

Povoados de nada – o silêncio impera

Meu Deus !  Isso me desespera!

 

 

Portas e janelas logo estarão abertas

O sol nascerá, as casas  surgirão do escuro!

Pássaros  saudarão o novo dia! Os cães latirão

E corpos humanos movimentarão e

Virá a alegria.

 

Mas a noite continua pesada!

Chega enfim a luz. Um pássaro já veio

Cantar na minha janela!

A alma continua trancada na noite passada.

As portas já se abriram,

Sons de carros, de buzinas,  se fazem ouvir.

Homens e mulheres e crianças despertas,

Mas a alma ainda não se liberta!

E-mail : santacatarinasilva@hotmail.com

13.04.2001

 

 

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