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TEMPOS DE NUVENS PESADAS NOS HORIZONTES – De Carlos Magno de Melo – Escritor, cronista e médico.

Tempos de nuvens pesadas nos horizontes

Carlos Magno de Melo – escritor

 

 

São tempos de fuga. Tempos de mais um presságio que o horror se instalará. Mais uma vez. O horror vindo dos céus dos senhores da guerra. Tempos de morte. Sob um pretexto, barbarizam com outro. Para serem justos, infamam. Nunca pediram desculpas pelas duas bombas atômicas sobre civis. Nunca se horrorizaram pelas chuvas de napalm despejadas do céu. A foto de crianças correndo em chamas nunca poderia se dissipar da memória dos povos para que nunca mais se repetissem. Repetem e repetirão.

         Não importa ao lobo se o cordeiro bebe água abaixo. O que interessa ao lobo é o cordeiro. Porque o lobo é forte. Não importa a ONU. Nada importa. O que interessa é o exemplo. O forte dita as regras. O forte tudo pode. Até ser o justiceiro do mundo.

         Nada justifica o genocídio a não ser que ele seja esquecido um dia. Os vencedores fazem com que até o esquecimento se faça. O horror sempre vem do outro, do inimigo. O gás venenoso. As crianças asfixiadas. As armas químicas. O antídoto: bombas em operações onde os soldados não tocarão o solo inimigo. O vídeo game da morte. A guerra limpa onde só corre o sangue do inimigo, mesmo que seja o sangue infantil. A negociação não é da índole do lobo. O que interessa é o cordeiro.

         No Iraque a guerra seria cirúrgica. Morreu Saddan, mas para que ele fosse morto, antes as crianças. As crianças na guerra cirúrgica são computadas na estatística das operações anômalas. Nos erros de percurso de um míssil.

         Antes, preparamos para a morte anunciada. Antes, nada é feito. Porém, quando aparecerem as imagens de pais e mães carregando os corpos dos filhos, bradaremos que a paz é necessária. E é. A paz é necessária, mas os que morreram, a eles não mais interessa a paz. Os mortos dormem com a paz, mesmo que uma paz aterrorizada nos olhos velados. Por hora, cavemos as sepulturas. Depois choraremos pelo sol embaçado pela fumaça dos escombros.

         O Prêmio Nobel da Paz cavalga o corcel da destruição. Não negociar. Não transigir. Dar o castigo exemplar. O açoite nas costas de um povo. Um povo que foge a fuga do desespero e da desesperança.

A Terra é uma diminuta bolha de lama que vaga frágil ao redor de uma estrela que um dia se extinguirá. E mesmo assim nos proporciona o espetáculo do amanhecer, em que pese nossa desatenção.

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