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Uma sirene varando a madrugada – De Ângela OTTONI DELGADO

Uma sirene varando a madrugada – Angela Delgado

  http://www.bisous-angela.blogspot.com

      O preço da passagem caiu expressivamente. É hora de comprá-la. Tento estacionar no amplo terreno, a duas pistas de distância da agência, mas não há vagas. Vou então para o estacionamento exíguo do shopping. Mal entro na sala da agência, desaba um toró. Depois de tudo resolvido, a chuva para, como por encanto e saio do Liberty Mall com meu estacionamento pago pela empresa, e o astral lá em cima.

     O irmão que irá viajar comigo, tendo conseguido a reserva do último quarto disponível do cobiçado hotel, pede um saquê para comemorar e recebe, assustado, uma “piscina” da bebida. Imagino o que emborcará quando comprar o bilhete aéreo.

     Os prolegômenos desta viagem já a fazem valer a pena.

     Uma curiosidade é que a Lei da gravidade só não atinge as gengivas. Abre parêntese: Soube disso outro dia, quando minha dentista falou que eu não tinha nada de anormal em minha dentição. O ligeiro obscurecimento vislumbrado é apenas a raiz do dente se tornando um pouco visível, pela retração da gengiva. Quem diria, enquanto tudo desce a gengiva sobe! Fecha parêntese. A gangorra da vida, que é coisa completamente diferente, atingida em cheio pela lei da gravidade, fez o percurso inverso ao da euforia de ontem. Explico: a companhia aérea não dispensa seu ganho extra, mesmo tendo eu pago a passagem à vista e com antecedência. Quer mexer na data? Multa nela!

     Sentindo-me como uma mensaleira que deve ser penalizada, cogito em apelar para o PT providenciar uma vaquinha para pagar a minha multa…
Agora falando sério, se a moda da multa pegar – não essa justa sobre políticos corruptos, mas a outra, a mercenária -, depois do Natal ou de um casamento, ninguém poderá trocar nada, sem pagar multa. Trocar um item do carrinho do supermercado? Nem pensar. O verbo escolher estará definitivamente acoplado às cruéis consequências. O verbo trocar acabará sendo banido dos costumes da sociedade.

     Voltando à gangorra, no dia seguinte em que tudo deu certo, era lógico que eu tinha que cortar o dedo em vez da laranja, e, à noite, em vez de sonhar com um avião aterrissando, as sirenes tresloucadas da polícia em plena madrugada me fizeram sonhar que o posto de gasolina aqui perto estava completamente arrasado, com vidros estilhaçados por toda a parte.

     A vida é mesmo uma faca de dois gumes… A minha está bem afiada!

 

 

 

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