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ANALISANDO CAMÕES

ANALISANDO CAMÕES
 O exame vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de um poema de Camões:
‘Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer ‘.
Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:
‘Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo !’
Essa vestibulanda ganhou nota DEZ: pela originalidade, pela estruturação dos versos, das rimas insinuantes e, também, foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era apenas falta de mulher.
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Esse “poema” circula há pelo menos 10 anos na internet e revela a ignorância do autor (que não deve ser uma menina de 16 anos, nem foi na Univ. da Bahia) a respeito da vida de Camões. Camões teve vários amores (não foi por falta de sexo que ele se tornou poeta). Cito as duas mais famosas de suas conquistas amorosas: Natércia (anagrama de Caterina) e Dinamene (a musa do soneto “Alma minha gentil que te partiste / tão cedo desta vida descontente…”). Além de mulherengo, Camões foi espadachim (o duelo em que derrotou seu desafeto protegido da coroa deu-lhe dores de cabeça), soldado (foi numa batalha que ele perdeu a visão de um olho) e aventureiro. Fico pensando como esse homem de vida tão agitada conseguiu acumular toda a cultura humanística da época, que ele tão bem revelou possuir no seu poema maior. O pretenso professor que deu 10 a essa pretensa aluna merecia um zero por compactuar com a burrice alheia.                    
 
                                                                                                                                       José Augusto Carvalho

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