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AS HIDROVIAS, AINDA – De MÁRCIO COTRIM – Colunista do Correio Brasiliense

 

 Roldão Simas Filho

anexa texto da coluna do Marcio Cotrim que vai sair neste sábado, dia 8, no Correio Braziliense. Trata-se de assunto muito importante.

            RSF

          

                                    AS HIDROVIAS, AINDA

                  Duas semanas atrás propus aos futuros candidatos às eleições de outubro o início de um elenco de idéias que, implantadas, podem mudar a face do Brasil e potencializar o aproveitamento de suas impressionantes riquezas.

                   Um dos itens desse programa, como disse então, era a utilização das nossas hidrovias como opção racional para o transporte de produtos ao longo do imenso território nacional a custos ridiculamente baixos em comparação às alternativas rodoviária e ferroviária.

         No mencionado artigo, ficou faltando uma óbvia referência à construção das eclusas, quando necessárias, em cada hidrovia.

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                  Falemos em números, como sugerem Luiz Edgard Tostes e Roldão Simas Filho, patriotas de carteirinha, sempre atentos às melhorias que podem ser introduzidas no país.

                  Como início de conversa, temos todas as condições objetivas para dispor, em pouco tempo, de uma das mais modernas e eficientes malhas hidroviárias do mundo!

                   A deficiência maior está nas condições subjetivas, onde é imperativo superar os vícios históricos que têm resultado em um cipoal administrativo e burocrático, com soluções imediatistas que chegam a dispensar, absurdamente, a construção de eclusas, elementos essenciais em rios de navegação problemática.

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                   Vamos aos fatos. Nossa rede hidrográfica é constituída por 29 mil quilômetros de rios naturalmente navegáveis aos quais, com melhoramentos e obras adequadas, podem ser acrescentados  outros 15 mil quilômetros, perfazendo significativo potencial de 44 mil quilômetros de vias navegáveis.

                   Apenas 8.500 quilômetros se encontram em uso comercial regular, dos quais 5.700 quilômetros na região amazônica. A utilização do restante é inviabilizada pela inexistência da necessária infra-estrutura com estações intermodais para a transferência de cargas, balizamento, sinalização e, sobretudo – e muito principalmente! – de eclusas que permitam a transposição de trechos encachoeirados ou das barragens de usinas hidroelétricas.

 

ILUSTRAÇÃO

 

                 Quanto aos baixos custos da utilização de hidrovias, segundo técnicos confiáveis, eles chegam a apenas 5% dos custos rodoviários. Além disso, o transporte  é considerado  o mais seguro para movimentar cargas potencialmente perigosas ao meio ambiente.

                 Mas voltemos no tempo histórico. A navegação fluvial é praticada desde remota Antiguidade, assim como a abertura de canais artificiais para facilitá-la.

                 Há mais de 5 mil anos os egípcios já empregavam o rio Nilo como eficiente corredor de transporte norte-sul que unia os extremos do país.

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                 Por sua vez, coube aos chineses – sempre eles! –  a  construção do que é, até hoje, o maior canal de navegação singular do mundo, o Grande Canal Pequim-Hangzhou. Com uma extensão de 1.800 km, foi construído entre os séculos 5 a. C. e 7 d.C. , e se beneficiou, posteriormente, da invenção das eclusas, no século 10, para proporcionar a integração das regiões Nordeste e Sudeste do grande país.

                Agora, a vez da Holanda. Notória pela excelência de sua tecnologia hidráulica, é o país que possui a maior rede de canais proporcionalmente ao tamanho de seu território, uma rede que remonta ao século 17 e responde por cerca de 40% de cargas internacionais e 20% de cargas nacionais, sendo uma das principais responsáveis pela transformação do porto de Rotterdam no mais movimentado da Europa.

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                Impossível ignorar o decisivo papel das hidrovias nos EUA. O caso da TVA, Tennessee Valley Authority, Autarquia do Vale do Tennessee, é emblemático. Um dos pilares do New Deal – o extraordinário programa empreendido pelo presidente Roosevelt para ajudar a reverter os efeitos da Grande Depressão de 1930 -, preparou a nação para emergir da II Guerra Mundial como a maior potência do mundo.

               A TVA introduziu um novo conceito de gestão pública ao tomar uma bacia hidrográfica inteira como área de planejamento para um programa de desenvolvimento integrado, do rio Tennessee, que se estende por sete estados e era, na época, a região mais pobre do país.

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               Eis aí apenas alguns exemplos do que as hidrovias podem trazer ao progresso do Brasil. Tocar nesse assunto, colocá-lo como prioridade na pauta dos candidatos às eleições de outubro é, a meu ver, uma das mais importantes contribuições à cogitação dos eleitores, tão carentes de projetos que, como esse, farão palpitar com mais força o coração brasileiro.

*”Nos rios, as águas correm e as pedras ficam” (Provérbio romeno).

           

 

 

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