Você está em: Inicial » Angola // Brasil // Cabo Verde // Crônicas // Galiza // Goa, Damão e Diu // Guiné-Bissau // Macau // Matérias Especiais // Moçambique // Notícias // Países // Portugal // São Tomé e Príncipe // Timor Leste » EVOLUÇÃO – De Carlos Magno de Melo – Escritor e Médico

EVOLUÇÃO – De Carlos Magno de Melo – Escritor e Médico

Evolução

Carlos Magno de Melo

Escritor e médico

carlosmagnodemelo@hotmail.com

 

 

Éramos feras. Vivíamos acuados e acuávamos. Caçávamos e éramos caçados. Vivíamos no oco das cavernas. Tínhamos as unhas grandes. Precisávamos que elas fossem grandes e fortes. Cavávamos o chão pra extrair raízes e vermes para a alimentação. Éramos primitivos e estávamos determinados a sobreviver.

            O tempo, indiferente, rodou o globo. Descobrimos o fogo. Criamos o tacape e a agricultura. Domamos os animais e aprendemos que a melhor defesa era o aglomerado. Inventamos a comunidade.

            A comunidade inventou o Estado e o Estado, para não ser hipertrófico se submeteu à Lei. Criamos a Civilização. Fugindo um pouco da cronologia, descobrimos a alavanca. A roda, a lança, o arco, a pedra afiada e a bomba atômica, afinal criamos a Civilização.

            Aos poucos fomos nos esquecendo que somos animais. Camuflamos o fato. Usamos roupas elegantes, calçamos sapatos finos, andamos de carro, comemos pratos sofisticados – um pernil não lembra um porco que foi abatido para que pudéssemos comê-lo, mas sim representa uma iguaria digna de ser apreciada com o manejo elegante de talheres delicados. O vinho sofistica a mesa. Aguça o paladar sem que necessitemos encher a boca de saliva para devorar a carne que se nos apresenta.

            Criamos regras de bem viver. Representamos nosso papel na Sociedade. Somos civilizados. Quem precisa de unhas? Ah, meu Deus! Todo mundo precisa de unhas. Tente abrir um celular para trocar a bateria. Tente rasgar o envelope da camisinha sem usar os dentes, os caninos, pontiagudos que nos rasgava a carne dos cadáveres dos animais que caçávamos. Ou então dê para a parceira usar as unhas pintadas, bem feitas e compridas. Descubra os números da raspadinha na lotérica sem usar as unhas, se você não tiver uma chave na hora. Somos tão animais que ainda necessitamos do nosso aparato de sobrevivência.

            Ah, sim, somos, reativos como qualquer animal que se vê acuado. Vejamos as manifestações que os asnos dos políticos estimularam com a indiferença episcopal ante nossos anseios morais e nossas convicções. Agora, ó, nós nas ruas. Pacíficos, mas prontos para os rangeres de dentes. Acumulando adrenalina para o ataque. Mostrando as unhas. Em paz, mas mostrando as unhas de bicho, de fera.

            Decifrem-nos ou os devoraremos.

NOTA

Esta crônica foi publicada no BRASIL nos Jornais

” VALENÇA AGORA ”  de SALVADOR

e no

” DIÁRIO DA MANHÃ ” de GOIÂNiA.

1 Comentário + Comentar

Deixe um comentário para admin





Voltar à página anterior Imprimir esta página

Patrocinadores

  • logo_aa

Design e Desenvolvimento - MagicSite Internet Solutions