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Márcia Elisabeth – Por Carlos Magno de Melo – Escritor e Médico

Márcia Elisabeth

Carlos Magno de Melo – escritor

 

 

Ao contrário do que pensamos as palavras não nos pertencem. Elas são de um universo amplo e interior.  Fugídias e ágeis. Negoceiam conosco. É difícil encontrá-las em determinadas circunstâncias. Embora não haja o indizível, dizê-lo pode se tornar uma angústia.

            Márcia Elisabeth, repórter pioneira do telejornalismo em Goiás. Mulher que tinha como ferramenta a palavra. Justamente este instrumento ou esta matéria prima tão ardilosa. Márcia exercia pleno domínio sobre a imagem no vídeo e casava esta imagem com o que dizia com tanta harmonia que a notícia se fazia simples, embora demonstrasse a sofisticação com que fora elaborada.

            Márcia, quando lancei meu primeiro livro (Bar Castelo), convidou-me para entrevista na TV. Falamos sobre minha literatura e sobre artes de um modo geral. Um dia antes ela me pedira um exemplar do livro. Queria ter elementos para usar na entrevista. Ela leu o livro todo à noite e durante a entrevista entrou em detalhes literários com autoridade de quem conhecia a matéria. Uma profissional ciosa do que iria colocar no ar para seus telespectadores.

            Márcia acompanhou a trajetória de minha obra e em determinado momento conseguiu-me espaço no Diário da Manhã. Foram publicados quase quarenta trabalhos desde então. Um prestígio para mim. Uma generosidade da jornalista. Devo à Márcia Elisabeth esta abertura no DM.

            As palavras não nos pertencem, embora pensemos que sim. Nessa hora, verificamos que elas são fugidias e o indizível se acerca de nós, embora saibamos que o indizível é uma questão de momento. Márcia Elisabeth pegou o trem de prata. Na derradeira curva, os lenços brancos. Uma lágrima silenciosa de uma saudade já instalada há tão pouco tempo, apesar.

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