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O Asfalto da Reduc – De Roldão Simas Filho

O asfalto da Reduc

 

Lá pelos idos de 1963, a única ligação por terra entre o Sudeste e o Nordeste do País ainda era a BR 116, aberta a toque de caixa a partir da época da II Guerra Mundial, quando os submarinos do Eixo quase cortaram a ligação marítima por cabotagem, a única então disponível.

A BR 116, entretanto, era uma estrada de terra, carroçável, como a grande maioria de nossas rodovias. Quando chovia, a estrada não era mais trafegável; os caminhões atolavam, principalmente na Zona da Mata de Minas Gerais, conforme muito bem registrado no romance Jorge, um brasileiro, de Oswaldo França Jr.  Edições Bloch, Rio, Prêmio Walmap 1967.

A produção nacional de asfalto era então limitada a uma pequena unidade na Refinaria Presidente Bernardes, Cubatão e à também pequena Fábrica de Asfalto de Fortaleza, ambas restritas ao processamento do petróleo asfáltico Boscan, da Venezuela, mal dando para o consumo de manutenção da rede pavimentada.  

A Refinaria Duque de Caxias havia entrado em operação em setembro de 1962 com as primeiras unidades. A de craqueamento catalítico ainda estava em montagem. Foi quando veio o desafio: o governo quer asfaltar com urgência a Rio—Bahia e quer fazê-lo sem que seja preciso importar asfalto.

A torre de vácuo da Reduc deve produzir asfalto desde que opere em condições mais severas, mas processando petróleo comum, de base asfáltica, é claro.

Os cálculos foram feitos: OK.

               Foi montada uma balança rodoviária e uma semi-improvisada estação de carregamento de asfalto na área intermediária, próximo das chaminés das tochas. Os caminhões entrariam até o miolo da refinaria, trafegando pela avenida F, por fora da área de estocagem de produtos finais.

              Tudo isso foi executado em poucas semanas. Com os tanques cheios com asfalto em especificação — segundo o controle do laboratório nos testes  de penetração —  a partir de então os caminhões vinham dia e noite carregar o asfalto  da Reduc para a pavimentação da BR-116 até Salvador, cerca de 1.700km, obra executada em tempo recorde no governo do presidente João Goulart.

 

 

                                                    Roldão Simas Filho

                                           Brasília, 11 de março de 2004

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