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O CLAMOR DAS RUAS E ….. – Por Eduardo Dutra Aydos – GRAVATAÍ

O CLAMOR DAS RUAS E A FALSIDADE IDEOLÓGICA DAS URNAS

 

                                                                                  Por Eduardo Dutra Aydos

 

 

Nunca antes se viram manifestações de insatisfação popular como as que eclodiram, por todo o Brasil, nos últimos dias… se poderia dizer, reprisando o estilo dos piores discursos que o Brasil tem digerido.

         

Mas, o que se precisa dizer é que o Brasil vem registrando, há décadas, o crescimento exponencial de um estado geral de insatisfação popular e falência institucional, que se expressa em índices de violência civil e de insegurança jurídica que, sob quaisquer pontos de vista razoavelmente articulados e defensáveis, nos situam abaixo dos padrões mínimos aceitáveis de cidadania e institucionalidade democrática.                                

 

Paradoxalmente, o Brasil vem registrando, há mais de uma década, os índices mais elevados e mais consistentes de aprovação popular dos governos mais corruptos e inconseqüentes da sua história.

 

Precisamos ouvir o clamor das ruas…  disse, na gravidade técnica do seu discurso politicamente correto, a Presidente Dilma Roussef.

 

Ocorre que o clamor das ruas é multifacetado, polissêmico e, até mesmo, auto-contraditório.

 

O ‘passe livre’ não é uma meta. É mais uma fraude que dissimula a sustentabilidade necessária de qualquer meta social conseqüente. O velho refrão do ‘abaixo a corrupção’, sem cobrar a denúncia do chefe político que, a toda evidência conheceu, foi conivente e beneficiou-se politicamente com o mensalão, frauda a conseqüência necessária e finalística do seu próprio enunciado. Proclamar-se uma ‘festa da democracia nas ruas’ (a despeito das violências de parte a parte, sempre atribuídas a minorias ou à congênita vocação das polícias), quando as ruas silenciam sobre a efetiva compra de milhões de votos pelo Bolsa Família, é uma sarcástica celebração da nossa incultura política. E assim poderia me estender ao infinito na análise destas manifestações e da sua mitologia, à qual todos são levados por alguma razão, muito grave e pontual, mas que se desintegram e se perdem na carência que refletem, de lideranças conseqüentes e de uma cultura poltica virtuosa.

 

Tudo isso é bem sabido e tem sido alertado pela intelectualidade brasileira marginalizada, no seio da qual despretenciosamente me incluo, desde quando os mecanismos institucionais de auto-correção da democracia brasileira têm sido fraudados pela comprometida leniência das autoridades e pela falsidade ideológica das urnas.

 

Não precisamos, Presidente Dilma, ouvir ou celebrar o clamor das ruas. Precisamos responder ao espontaneismo da sua catarse, identificando as suas causas estruturais e institucionais, e promovendo a correção de curso da política nacional, que atenda um programa emergencial de reversão da falência generalizada da nossa constituição política.

 

O seu governo, Presidente Dilma, tem promovido o suicídio urbano em todo o País,  através do favorecimento do emprego nas bases políticas do seu partido em São Paulo, subsídiando de forma indiscriminada e insustentável o desenvolvimento da indústria automotiva. O seu governo, Presidente Dilma, promove, com sacrifício de outros investimentos de infra-estrutura e do desenvolvimento humano e sustentável, políticas compensatórias de caráter demagógico

e mega-políticas de espetáculo desportivo, que reescrevem a antiga e surrada receita de dominação dos imperadores romanos: ‘pão e circo’.  

 

O seu governo, Presidente Dilma, não pode permanecer alheio ao império da criminalidade no dia a dia da sociedade brasileira, e não nos conforta a solução do “apartheid”, que será colocada em execução para afastar essa realidade pungente dos locais e das festividades da Copa de 2014.

 

Mas alguma coisa mudou, Presidente Dilma. E sobre isso a Nação gostaria de ouvi-la.

 

O clamor das ruas simplesmente proclamou a verdade material dos fatos: ‘O Rei está Nú’.

 

Prevalecerá a miopia da Corte e a ilusão do Povo, ou a ingenuidade da criança que alimenta a seiva da liberdade e da vida que ainda nos sustenta?

 

Gravataí, 21 de junho de 2012.

 

 

                                                           

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