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Coluna Semanal de Márcio Cotrim no Jornal “Correio Braziliense”

 

Coluna Semanal de Marcio Cotrim

Jornal “Correio Braziliense”

Berço da Palavra: “O Touro de Wall Street”

Dezembro de 2012 

O TOURO DE WALL STREET

Literalmente, Wall Street, em inglês, quer dizer rua do Muro – wall, muro, parede e street, rua. Fica em Nova York e é reconhecida como a sede do mundo capitalista. Na bolsa de valores, ali localizada, fazem-se e se desfazem fortunas da noite para o dia, como na crise de 1929 quando muita gente, em desespero, atirou-se pela janela do escritório diante de perplexas testemunhas.

Um pouco de história do berço dessa emblemática via pública: em 1653, os então colonizadores holandeses da cidade, na época chamada Nova Amsterdam, construíram no local um muro como proteção contra algum possível ataque de índios que ali habitavam. Em 1664, a cidade foi tomada pelos ingleses, que lhe mudaram o nome para Nova York, em homenagem ao duque de York, irmão do rei britânico. Em 1699, o muro foi demolido e só ficou na lembrança o nome do logradouro, Wall Street.

Pois bem, ali pertinho se encontra, no meio da rua, um lustroso touro de bronze. Por quê? Já explico o berço do singular bovino. Ele fica na Bowling Green, esquina da Broadway com Wall Street, foi encomendado pela bolsa de valores ao artista italiano naturalizado americano Arturo di Modica e suas três toneladas simbolizam o vigor e a robustez da economia norte-americana. O touro reprodutor, viril e musculoso, inspira confiança num mercado que se deseja livre, próspero, agressivo e otimista.

Agora, uma curiosidade sobre o obeso bicho: todos os dias, os turistas o fotografam e, cumprindo o que ensina a lenda, para terem boa sorte lhe apalpam o focinho, chifres e… enormes testículos! Feito isso, pronto, sucesso financeiro garantido. . .

 

PÃO-DURO – Miguel de Cervantes, autor da apaixonante obra-prima Dom Quixote de La Mancha, em outra de suas peças criou o personagem chamado Dr. Panduro, sujeito avarento, unha-de-fome. No Brasil, essa expressão se vulgarizou com a morte de um mendigo, no Rio de Janeiro, conhecido pelo nome de Pão-Duro, porque ele pedia a quem passava “nem que fosse um pedacinho de pão duro”. Quando morreu, e para surpresa geral, deixou enorme quantia em conta bancária, além de vários imóveis. Inspirado no mendigo, o novelista Amaral Gurgel criou a comédia Pão-Duro, estrelada pelo famoso ator Procópio Ferreira. Entre nós, não são poucos os chamados mãos de vaca, aqueles que não abrem a mão nem para dar bom dia. No mundo político, consta, FHC é conhecido por sua parcimônia em relação a gastos pessoais. Um pecadilho venial. . .

 

CANTAREIRA – Quem me acode nesse verbete é o amigo leitor Roldão Simas Filho, niteroiense de nascença e de carteirinha. É ele quem explica o berço da palavra cantareira. Antigamente uma empresa chamada Companhia Cantareira Viação Fluminense fazia a ligação Rio – Niterói com suas barcas, quando a atual ponte não passava de sonho. Mas o berço do vocábulo é outro: no tempo em que não havia água corrente nas casas – o líquido tinha que ser buscado nas fontes –, cantareira era o móvel doméstico onde se guardavam os cântaros com água potável. Cabe a pergunta: talvez a Cantareira tenha sido, inicialmente, uma empresa de fornecimento de água potável em domicílio, não é? Quem diria, mas é bem possível, por que não?

 

ESCOLA – Os leitores podem até duvidar, mas antigamente a escola era considerada uma bela diversão. Por isso mesmo a palavra latina schola designava lazer, descanso ou alguma atividade praticada na hora do repouso como… estudar! Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam – quer dizer, estudavam. Portanto, quando fazemos da sala de aula um lugar prazeroso estamos, de fato, retornando às origens. Já a palavra liceu, que tem a mesma acepção, se refere ao local onde Aristóteles ministrava suas aulas, o lykeion. Semelhante ideia prevaleceu no Brasil, como prova o Liceu de Artes e Ofícios, mais um templo onde se fazem educação, instrução e cultura. . .

 

 

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