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Inferno de Dante – de NILZA AMARAL – ESCRITORA FICCIONISTA – SÃO PAULO – BRASIL

De

N I L Z A   A M A R A L

 

L´Inferno de Dante

Libertá va cercando ch`é si cara/ come as chi per lei vita rifiuta

Dante e seus pecados da luxúria, violência, malicia, certamente não sobreviveria aos nossos infernos tropicais. Partindo do calor que esquenta a pele e leva a todos os pecados da sensualidade e erotismo, e daí para as inconsequências do comportamento humano, certamente seria naïve o seu inferno da divina comédia, e seus rituais de códigos religiosos ultrapassados nesse nosso século de tantas religiões, de tantos blasfemadores e insidiosos.

Afinal, o que é o Inferno, senão a ambição dos homens e a fraqueza dos pobres? Ou seria a tentação feminina nesse século da desvalorização do corpo quando tantas Marias Madalenas precisariam de perdão? Em que Canto Dante descreveria o caos do centro de uma cidade onde a degradação prolifera e indivíduos se destroem entre drogas e sexo? Qual seria o antiinferno, ou a qual dos nove ¨cerchi¨pertenceria uma rua onde as mulheres vendem o corpo e os homens compram prazer? E que Céu compensaria a infelicidade Humana?

Pobre Dante, feliz na sua ingenuidade de dividir castigos e prêmios. Infeliz na concepção de dividir em prateleiras seus purgatórios, infernos e Céus. Cruel em classificar o Amor e colocar os que não amaram, segundo seu conceito, como candidatos ao Inferno?

Porém Dante é Poeta. O poeta que busca a liberdade. Como poeta ele tem alvará para metaforizar céus, infernos e purgatórios à maneira da poesia, ele tem licença para descrever em tantos versos a miséria, a dor, a infelicidade, a luxuria, a sensualidade e colocar toda a abstração em gavetas especiais. Ele consegue através da imagética de suas metáforas indignar críticos, espantar incrédulos, e maravilhar criadores. Toda a leitura é vital se mudar comportamentos, e indicar a porta da liberdade. A alma precisa ser nutrida e as palavras são o nutriente da essência.

Dante é o D.Quixote da revolução religiosa. Luta contra os transgressores da moral religiosa com as armas de sua verve. Divide o universo dentro de sua utopia. Como todos os precursores do pensamento filosófico, Dante é histórico e esse é o seu valor.

A divina comédia pertence a um tempo que se foi, mas todo o tempo leva à universalidade. Dante absorve esse tempo e o congela para a eternidade. Mudam os tempos, permanecem os homens que pecam ou se santificam.

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