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PALESTRA SOBRE A ÓPERA DO POETA E DO BÁRBARO- PROFERIDA POR ÂNGELA OTTONI DELGADO

Palestra sobre o projeto de literatura Ópera do Poeta e do Bárbaro, de Pio Ottoni Júnior, realizada por Angela Delgado na Biblioteca Demonstrativa de Brasília.

 

 

 

 

 

Bom-dia a todos! Que meu pai, um excelente orador, encarne em mim agora, amém!

Devido ao sobrenome da dinâmica coordenadora desta Biblioteca, Conceição Moreira Salles, sonhei que embaixo da Biblioteca havia um Banco, onde ela estava angariando público para esta palestra, pois vocês não podiam vir. Ainda bem que foi apenas um pesadelo!

Estive aqui no dia em que veio o Afonso Romano de Sant’ Anna. Não pude ficar, mas foi quando resolvi fazer minha palestra neste local, cativada que fui por esta platéia tão simpática. Soube que se reúnem há 26 anos! Por onde andei nesse tempo todo?

Ora bom, como dizem os portugueses antes de começarem quase todas as suas frases.

Apresento-lhes minhas credenciais:

Meu nome é Angela Ottoni de Menezes Delgado, morei durante nove meses na Bélgica, sou tradutora, publiquei uma trilogia pela Thesaurus Editora, sou avó de seis netos e como se isso fosse pouco, tenho também a incumbência de ministrar-lhes uma palestra.

Portanto, vou lhes falar sobre a obra de um carioca que tinha “sotaque de mistério e de sonho”, vertida por mim para a língua francesa, para atrair os francófonos e por lutar contra a tendência do tempo, cada vez mais veloz, em que se decretou, e muitas pessoas acreditam nisso, que ontem já é passado; a antevéspera já caducou e é imemorial o que ocorreu no ano anterior. Justamente porque o tempo tem andado tão apressado, é que não está tão longe assim o ano da publicação de uma pequena edição, restrita aos familiares, do livro Ópera do Poeta e do Bárbaro, de Pio Ottoni Júnior, doente de câncer, em 1976. Afinal, vocês estavam quase começando a se reunir…

Pio Ottoni Júnior disse que sua vida havia sido “um louco vulcão que nunca se atreveu a ter cratera.”

Talvez ela tenha sido este livro…

Ópera do Poeta e do Bárbaro é uma prosa poética dividida não em capítulos, mas, em cantos, como Os Lusíadas.

“Ao começarem a viagem através dos tempos, em companhia do Poeta e do Bárbaro, vocês participarão de seus diálogos, de suas confidências, de seus desentendimentos. Por vezes, testemunharão os conflitos entre dois velhos amigos que seguiram caminhos diferentes. Por vezes, vislumbrarão nos debates as perplexidades que podem assaltar cada indivíduo nos seus momentos de íntima reflexão. Pio Benedicto Ottoni, homem de forte personalidade, autêntico, sereno como são os sábios, e profundamente humano, cedo se sentiu atraído pelas coisas do intelecto e do espírito. Mas, era também um esportista, um entusiasmado pela natureza, pela vida. E dedicou-se sempre a refletir sobre o mistério que cerca a natureza humana; descobriu a sinfonia da estética universal, que enxergava nas inúmeras manifestações com que a natureza nos brinda, nas maravilhas criadas pelo homem e nos dramas e tragédias que compõem a existência humana. Seu espírito inquieto o fez subir o rio Amazonas em busca de sua nascente; a escalar montanhas, inclusive, o escarpado Dedo de Deus, nas cercanias do Rio de Janeiro; e nas Letras, leva-nos à gravidade das reflexões mais profundas, assim como às alturas dos vôos mais altos”, como bem se expressou um sobrinho seu.

Quando li este livro, achei a obra maravilhosa demais para continuar ignorada pelo mundo, pegando poeira na estante. Resolvi, pois, resgatá-la. Aprovada a tradução, melhor dizendo, versão, pelo Conselho Cultural do FAC – Fundo de Apoio à Cultura, publiquei a nova edição, agora bilíngue,  pela Editora Thesaurus e com eles fui a Portugal e Espanha, onde lancei uma trilogia que havia publicado, mas, a “pièce de résistence” do “pacote” foi mesmo Ópera do Poeta e do Bárbaro, que, em Arouca (Portugal), faz agora, junto com a minha trilogia, parte do acervo da Biblioteca de sua Prefeitura (lá,Câmara municipal), e da Biblioteca Nacional de Lisboa, assim esperando que o obra do grande poeta e brasileiro Pio Ottoni se torne mais conhecida .

Por se tratar de um livro bilíngue, cogitei em dar a palestra aos alunos do curso de tradução na UnB, mas lá me disseram que eu teria que me ater ao processo tradutório. Uma pena, dada a profundidade do livro, porém, eu daria um jeitinho de camuflar o conteúdo: lendo alguns trechos, e perguntando se alguém teria traduzido de forma diferente, ao mesmo tempo abordaria o processo tradutório, aprenderia, talvez, com os alunos, e adoro aprender, como também divulgaria as belezas do livro. Mas, aqui, não preciso dessa camuflagem e posso abertamente ler vários trechos, sem que me fuzilem por isso. Esse foi outro motivo para eu estar aqui. Seria impossível ignorar o conteúdo do livro, apesar de que, sendo tradutora, óbvio que poderia falar sobre o processo tradutório. Difícil seria falar unicamente sobre ele.

Portanto, vamos ao processo tradutório:

Quando estava vertendo o livro, uma formiguinha teimava em passear pelos meus papéis. Eu a soprava, ela voltava; dava-lhe um peteleco, ela retornava; esmagava-a e lá vinha ela, ou ele, pois, se meu pai não encarnou em mim hoje, naquele dia, o inseto bisbilhoteiro inspecionando meu trabalho era uma formiguinha bem especial.

O duro foi quando me emocionei em um trecho. Procurei-a para lhe mostrar minhas lágrimas e não a encontrei. Havia saído para dar uma voltinha…

E mais: na digitação, um parágrafo teimava em ficar em caixa alta. Não conseguia de jeito nenhum diminuí-lo. Depois de várias tentativas, após descobrir um erro em suas linhas e corrigi-lo, é que o parágrafo se normalizou. Foi de arrepiar.

Continuando o processo tradutório, em seguida ao trecho em que o Poeta, cansado, senta sobre uma pedra e chora, lê-se (página 38):

Foi então

Que alguém

Me bateu às costas.

E disse: Levanta-te, vem conosco…

Fiquei na dúvida se não deixava a frase começar com um pronome ou se respeitava o original. Consultei um revisor e sua opinião a de que eu não deixasse a frase começar por um pronome. Já um dos meus nove irmãos dizia que eu devia respeitar o original, mesmo porque quando ele lia um poema, seguia a cadência das frases e não a dos versos, ou seja, não fazia pausa no fim de cada verso, e, sim, ao final da frase, dois, três versos adiante, quando encontrava um ponto, para que a leitura fizesse sentido e ele captasse a mensagem do autor. E continuava ele, “a regra de não começar a frase com o pronome se refere à frase. Por isso, acho que o “me bateu” não agride. Concordo que a eufonia deva prevalecer, se bem que isso também é um pouco subjetivo.” Finalizou.

Acatei sua opinião, mas, quando li a boneca, que é aquele “rascunho” do livro a ser publicado, e dei de cara com um “me bateu-me”, quase enfartei. Por um triz o livro seria publicado com o respeito ao original e, ao mesmo tempo, à norma culta!
Bem, alguns podem achar minha versão bastante literal. Defendo-me dizendo que a melhor maneira de se aprender uma língua, depois de viajar ou namorar um estrangeiro, é justamente a leitura, cercada de dicionários, de livros bilíngues, cujos tradutores não devaneiem muito e façam outras poesias inspiradas no que deviam traduzir. Sei que, visando enriquecer o texto, podendo, devemos optar por sinônimos graficamente diferentes do original, e me lembro das aulas do meu professor de tradução, que dizia que as traduções eram como as mulheres: quando belas, não eram fiéis e quando fiéis não eram belas.  Mas, continuo achando que se você quiser ensinar uma língua através de uma tradução, é bom não se afastar muito do que o escritor escreveu. Há tradutores que criam outra obra.

Se bem que, às vezes é mister um certo afastamento, como demonstra o questionamento, infelizmente  tarde demais, do irmão mencionado acima, bastante arguto, mas sabendo pouco francês, que me questionou dizendo que eu havia traduzido “condecorado” por “decorado”. “Condecorado, em francês se diz “décoré”, e “décoré” tanto se refere a uma insígnia quanto a um ambiente da Casa Cor. Mas, para evitar o quiproquó, eu deveria ter mudado o verbo “condecorar” para “marcar” (pág.15): assim, “condecorada por uma pegada”, em vez de “décorée d’une empreinte du pied”, ficaria:  “marquée d’une empreinte du pied”.

No terceiro capítulo ou Canto Terceiro, como o autor preferiu, há uma estrofe que intui toda a beleza do livro, ouçam:

De vez em quando,

À tarde ou de manhã,

Em dia de sol ou dia de chuva,

Em noite estrelada ou em noite feia,

A qualquer momento, por razões ignotas,

Por mistérios que jamais alguém desvendará,

De vez em quando, sentimos algo a fermentar na alma,

Algo de estranho que vibra em nosso sangue, em nosso mundo,

Algo que nos faz atirar à vida

Dois olhos maravilhados.

No Canto Sexto, o Poeta um pouco desanimado de cooptar Bárbaro para o seu campo, desabafa:

E eu me acabrunhei com uma ilusão tamanha,

Que obriguei minha língua a jurar a minha alma

Que jamais de novo tentaria converter um Bárbaro.

Para fugir ao suplício de apalpar a impotência das palavras,

Perante a onipotência de sentidos que as palavras podem ter.

 

Ainda nesse Canto, o autor falando sobre o idioma da Poesia, diz que

“o poeta fala-o em verbos,

O músico canta-o em sons,

O pintor escreve-o em cores,

O cineasta o traduz em filmes,

O escultor conversa-o em formas,

O pirotécnico exprime-o em fogos,

O arquiteto declama-o em estruturas.

Mas sempre balbuciando, soletrando,

Sempre num esforço rude de expressar o mistério,

De identificar em sons aquilo que nasceu sem som…”

 

Outro trecho que, acho, agradará a vocês é o da página 136:

E aconteceu

Que foram ambos à mesma festa:

Bárbaro analisa o ambiente – o poeta distribui amabilidades.

Bárbaro pesquisa alguém disponível – o poeta pesquisa alguma fada ali.

Bárbaro descobriu alguém aceitável o poeta, um querubim em pessoa.

Bárbaro cumprimenta com técnica – o poeta promete um amor eterno.

Bárbaro serve champagne à dama – o poeta bebe à saúde da dama.

Bárbaro fez a conquista – o poeta está declamando versos.

Bárbaro oferece seu carro – o poeta nem tem moto.

Bárbaro dá o braço à dama – o poeta se embriagou e é expulso da festa.

 

Por falar em carro, outro dia, estando no Rio, onde já perdi um pouco o medo de andar de ônibus, visto que até táxis não são à prova de violências, peguei um ônibus com minha neta de sete anos e lhe perguntei:

– Clarinha, você já andou de ônibus?

– Já. No do aeroporto.

– O que leva os passageiros da sala de embarque ao avião não conta.

– Andei também no da Disney.

– Muito menos esse! Clara, você está andando em um ônibus de verdade pela primeira vez, e como nosso tio Pio contava, A Primeira Vez é o nome de uma fada,

 

“A fada do belo universal.

Os poetas vivem conversando com ela,

Pois tudo vêem como se fosse pela primeira vez.

Olham para o céu, como quando, no berço, olharam.

Contemplam o arranha-céu, como se fosse inventado hoje.

Vivem suas ruas de sempre, como um turista as passearia.

Por isso vibram, fremem, cantam.”

 

Vamos para a página 138:

Mas não! Não curem a alma doente dos estetas,

Pois suas moléstias são adubos sagrados,

Que dão seiva à floração das obras geniais.

É só nos miasmas deste solo que nascem obras eternas

E foi nesta jeira que Hamlet e a Divina Comédia nasceram.

 

Não curem os achaques dos sangues artistas,

Pois que a raça dos artistas não pode morrer.

Apesar de suas doenças, problemas e rebeldias,

De seus desatinos, de suas vidas repletas de erros,

A despeito de tudo, a raça dos poetas não pode morrer.

Para que a megera Rotina não mate o sentido do universo.

Para que tudo não seja engolido pelo marasmo dos prosaísmos banais.

Para que o tédio não gele os calores todos da existência.

Para que a morte não devore a vida.

 

Deixai os artistas doentes,

Deixai-os, eles sabem viver assim,

Pois que assim escreveram Vozes d’África,

Compuseram a Nona Sinfonia e esculpiram Moisés.

Deixai-os: os artistas serão sempre o que sempre foram,

Sofrendo muito, mas não há solução para seus problemas,

Pois há muitos milênios os poetas choram

E enquanto viverem chorarão.

 

Um pouco mais abaixo (página 142):

Seria tão melhor não viver de alma torturada…

Seria tão melhor não ser tido por um inútil…

Seria tão melhor ser um pouquinho feliz…

Seria tão melhor que a poesia do mundo

Não custasse um preço

Tão monstruoso assim…

 

Outro trecho que tem agradado a muita gente é o da página 216:

Não olhes com olhos gregos uma estátua asteca,

Pois nenhuma obra-prima resiste a um exame assim.

Não pesquises com alma vienense um coração chinês,

Pois lentes sem focalização só podem divisar absurdos.

Não cotejes indumentárias tupis com figurinos de Paris,

Pois Paris é bastante diferente das florestas tupis.

Não abras compêndios de Bach ao sabiá,

Pois o sabiá tem tantos admiradores quanto Bach,

Respeita as leis profundas de cada coisa,

Respeita, é tudo! E tudo entenderás!

E quando se pensa que a beleza no livro já foi mais do que suficiente, vem mais: a que destaquei na contracapa desta edição:

Dias em que a vida

Dizia tantas coisas, que atordoava.

E o eu de cada um era uma editora de poemas impossíveis

 

E o cérebro e o coração eram um furacão de partos

E não havia parteiras para tantos partos

E não havia berços para tantos filhos

E não havia verbos para tantas idéias

E não havia paz para tanto assombro.

Depois de o autor, no canto sétimo, ter louvado os que cantaram, no canto seguinte, cujo título é “Mas quantos não puderam cantar”, ele exorta a todos que cantem ou louvem ou se expressem, e sai à procura de gênios. Anda pelas calçadas, tentando ouvir alguém tocando música e acaba sentado em um banco da Avenida Rio Branco, no Rio. Abre a Ilíada e adormece. Foi quando Homero se espreguiçou e na folha do livro que ele não sabia se lia ou não lia, falou:

– Procuras Gênios? Vem comigo. Sei onde moram.

Chamaram Rafael e Wagner e partiram.

E quando caí em mim,                                                                                                                                                            Estávamos chegando à Avenida Rio Branco,                                                                                                                 Paramos e Homero avisou: Fiquemos aqui,                                                                                     Os Gênios passarão por aqui.

Protestei:

Não, procuremos as Academias,                                                                                                                 Os Ateliês, os Conservatórios!                                                                                                                           Ficar aqui na Avenida, como despreocupados,

Como turistas, como apreciadores da moda,

Como estudantes que não foram à aula?

Eles nada responderam:

Olhavam o movimento.

Era de tarde.

Os carros avançavam, buzinavam ônibus

E as esquinas desaguavam magotes à calçada.

Desfilava o povo, passavam senhoras, passavam senhores,

De caras comuns, de maneiras comuns, de almas comuníssimas

E aquela cena, num passeio da Avenida, me era uma desilusão,

A mim, que vinha de tão longe, e acompanhado de três mortos,

Para descobertas sensacionais no mundo vivo.

 

Almas comuns?

Perguntou um deles irritado.

Não existem almas comuns, nunca existiram,

Cada alma é uma tragédia, cada coração um drama,

Cada momento uma esfinge, cada olhar um…

 

Mas não escutei o fim da frase,

Pois Wagner, de perto me chamava,

Dizendo que um rapaz de terno cinza passara

E que o seguíssemos, pois era um Gênio que passava.

Segurei Wagner: Não sejas louco, conheço o rapaz,

Ele não é compositor, nem sabe música,

É um pobre garçom de restaurante,

É apenas um homem a mais…

 

Wagner cravou-me os olhos acesos,

Em que ferviam acordes fulminantes

E gritou: Não existe homem a mais, não existe!

Que importa onde a vida o jogou, se sua alma é Gênio?

Que importa seu restaurante, se as almas nunca são garçons?

 

Em sua “Despedida”, o autor nos brinda com:

A realidade é o que temos à volta,

Nosso panorama diário, nosso suor cotidiano,

Nossa profissão, nossos problemas, nossa vizinhança, nosso clube,

Nossos parentes, nossos conhecidos, nossos amigos, nossos inimigos,

Tudo o que enche, de sabores e insabores, os momentos de nossas

vidas.

Vivamos nossos dias como o pudemos, mas sempre os mirando com calor

E então, mesmo sem viagens e sem aventuras,

Seremos iluminados da poesia da vida,

Iluminados da realidade completa.

 

A realidade completa

É a tua vida e a vida de todos,

É teu romance, teu problema e o romance e o problema de todos.

É o mistério de ti mesmo e o de milhões de almas que não conheces.

É tua civilização e todas as civilizações que existiram no universo.

É tua opinião sobre as coisas e todas as opiniões que existem na Terra.

É tua miopia e todas as miopias que os cérebros dos outros tiveram.

É teu mundo e o mundo de muitos milhões de outros.

A realidade completa é teu tudo

E o tudo de todos.”

Algum comentário ou pergunta?

Vou sortear agora três exemplares e quem não for contemplado com a Ópera do Poeta e do Bárbaro, poderá, a título de consolação, ganhar no sorteio de minha trilogia: Ephemeris, a idade do nunca (nunca fomos tão esquecidos, nunca havíamos sentido essa dor antes, nunca mais teremos coragem de andar na Montanha Russa…), Crônicas & Sabores e A Segunda se fez Quarta (um dos meus netos me perguntou se eu havia começado a escrever na segunda e terminado na quarta… Mas, o livro, hoje, dada a celeridade do tempo, teria o  título de A segunda se fez sexta, ou A segunda se fez quinta, pois uma das netinhas, vendo-me ler, reclamou que “não era óia de istudá”.

– E quando poderei ler?

– Na quinta-feira – Respondeu ela, sei lá por quê. Como se me fosse possível ficar sem respirar até lá.

Ora bem, Conceição, posso liberar as meninas para irem para casa e mergulharem no livro?

Espero que tenham gostado da palestra, a minha inaugural. Pelo menos, eu não me esquecerei desta fada inesquecível. E agora me lembro de minha mãe elogiando uma sobrinha muito bonita e delicada: “…essa fada…” Percebendo o cacófato, tentou corrigir: “essa fadinha…”

Obrigada por colocarem à minha disposição o seu valioso tempo, e que Deus vos proteja.

Angela Delgado

 

 

 

 

 

 

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