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PARA MEUS IRMÃOS PORTUGUESES – DE CECÍLIA PRADA – CAMPINAS – BRASIL

PARA MEUS IRMÃOS PORTUGUESES

por

CECÍLIA PRADA

Que saudade que eu tenho de um Portugal que não conheço! O interior de suas províncias, suas entranhas, pitorescas aldeias, históricos sítios, gente do meu falar, de minha tradição cultural …. O acaso de minhas viagens levou-me umas cinco vezes a Lisboa e arredores, apenas. Brevíssimas estadas que só me deixaram água na boca e planos, sempre, de uma alongada viagem que me permitisse aprofundar a metade lusitana (escondida) da minha identidade. Pois: o nome literário que adotei, meu Deus, adolescente ainda e há sessenta anos…expõe apenas o sobrenome paterno, de origem austro-italiana , de avós nascidos em Trento mas ainda sob o domínio do Império Austro-Húngaro, e emigrados para o Brasil por volta de 1870, onde se estabeleceram na cidade de São Paulo. No muito mais antigamente, porém, vieram os “do Amaral” de minha mãe (fazendo questão da partícula…) que traçados estão, em rigorosa genealogia de famílias tradicionais, até 1571 – quando aportaram ao Brasil Luiz do Amaral e Maria de Saavedra, saídos – como a maioria dos Amarais brasileiros, creio – do núcleo de “Carvoeiros”, isto é, se não me engano Freguesia de Nossa Senhora da Carvoeira, distrito de Setubal. Estabeleceram-se em Atibaia ( no Estado de São Paulo) e mantiveram-se pela região e também pela capital, até hoje, entrosando-se durante os 400 anos seguintes por casamentos e laços sociais exclusivamente com membros de outras famílias de origem ibérica – leio, espantada, o mencionado rol genealógico de 60 páginas, e verifico que até o glorioso advento ao mundo desta minha pessoa o núcleo permaneceu ligado somente a famílias da mesma origem, que remontam aos primeiros tempos da colonização, isto é, Paes e Pinheiro (da minha avó materna) e também Franco, Cintra, Bueno da Ribeira, Penteado, Camargo, Xavier, Leme, Lima, Prado, Siqueira, Cardoso, Pimentel, Alvarenga ,e o que mais, meu Deus, é todo mundo…a primarada toda casando entre si, reunindo patrimônios e tal… Mas assim mesmo a família paterna italiana trazia consigo um nome também ibérico, esse Prada de origem espanhola, transplantado para os Alpes italianos no início do século XVII, nome que me atrapalhava sempre na escola, sempre grafavam Prado, fazendo-me sentir um complexo de origem ortográfica – “Prada com a” fui sempre corrigindo. Até que me fizeram o favor de fazer o filme “O diabo veste Prada” – agora está mais fácil minha vida, ufa! Tornei-me a prima da Meryl Streep. Fim de papo. Um detalhe interessante: o núcleo específico “do Amaral” (foi Franco do Amaral, antes), ao qual pertenço, tem uma tradição profissional que de certo modo, e com licença poética, explicaria em parte esta minha obsessão de escrever…Pois passa à História como linhagem de mais de 200 anos de tabeliães, aqui no Brasil, vejam só! Tradição mantida até recentemente (por meio de um primo tabelião em Bragança Paulista – o mesmo que é especialista em parentelas) – mas agora, acabou-se, essa história sempre

foi um vestígio feudal, agora aos tabelionatos se deve chegar, conforme rezam leis recentes, não mais por heranças e arranjos familiares, mas por concursos, é claro. Democrata convicta, cultivo, porém, o pozinho acumulado nos livros de registros onde a caligrafia cuidada de meus antepassados escrevia os nomes e os eventos civis, as transações, os títulos de propriedade das fazendas, com seus objetos todos, e escravos, e agregados, e das casas urbanas de meus antepassados de nomes colecionados, marcando nossa presença em um determinado ponto geográfico, suas coordenadas precisas, seu tempo – o mistério de todos nós, que andamos pelo mundo aos cachos, às redes, às turras, à procura de saber o porquê de vivermos , de chamar-nos assim ou assado, e de sermos isto ou aquilo….enfim! Enfim, primos que frutificam hoje por aí, perdidos de mim desde os alvores de 1571…pois aqui estou, sequiosa de conhecê-los. Quem sabe um dia destes…

NOTA:

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